Deficiência de folato: qual a relação com o HPV?

Os folatos interferem diretamente no organismo, uma vez que são essenciais na produção do material genético e replicação das nossas células. Sua deficiência pode acarretar em consequências relevantes como perda de cabelo, problemas no desenvolvimento fetal e até enfraquecimento muscular (HWANG, 2019). Mas você sabia que os folatos também são relevantes na proteção contra o Papiloma Vírus Humano (HPV)? Continue lendo e saiba o porquê!

Papiloma Vírus Humano (HPV)

O que é?

O papiloma vírus humano (conhecido como HPV) é capaz de infectar as mucosas e pele. Segundo o Ministério da Saúde (2017), dos 150 diferentes tipos de HPV, 40 podem infectar o trato genital e 12 podem levar à cânceres em colo do útero, vagina, vulva, pênis, ânus e orofaringe e outros podem causar verrugas genitais.

Como ocorre a transmissão?

A transmissão do vírus se dá pelo contato direto com a pele ou mucosa infectada, o que pode ocorrer através da relação sexual (95% dos casos) ou através do contato com as mãos contaminadas pelo vírus, objetos como toalhas ou roupas na presença de secreção com o vírus vivo (5% dos casos), também segundo o Ministério da Saúde (2017). O contágio via sexual é a forma mais comum e inclui o contato oral-genital, genital-genital ou mesmo manual-genital, portanto, o contágio com o HPV pode ocorrer mesmo na ausência de penetração vaginal ou anal.

Quais são os sintomas?

Grande parte das infecções por HPV são assintomáticas, ou seja, não apresentam sintomas e regridem espontaneamente. Além disso, um indivíduo pode ser portador do vírus e, mesmo não apresentando sintomas, pode transmiti-lo. Os sinais de infecção por HPV incluem lesões na pele e mucosas, alterações nas células podendo causar verrugas genitais, lesão pré-maligna de câncer e até câncer de colo do útero, vagina, vulva, ânus, pênis e orofaringe (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2017). Conforme o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer do colo do útero apresenta relação com a infecção do vírus HPV e é responsável por 70% dos cânceres cervicais no país.

Qual a relação do HPV com o nível de folato?

Estudo publicado na revista Nutrition (2007) demonstrou que mulheres infectadas pelo HPV-16 têm cinco vezes mais chances de apresentar displasia cervical de alto grau em relação a mulheres negativas para o vírus. Por outro lado, manter os níveis adequados de folatos no organismo pode reduzir o risco de câncer do colo do útero ao passo estes reduzem as chances de possíveis infecções pelo vírus HPV- conforme dados publicados na revista Cancer Research (2004).

Câncer de colo de útero

A deficiência de folato pode resultar na persistência da infecção pelo HPV, assim como na progressão e no aumento da displasia cervical (câncer) – segundo Abike (2010). Este estudo avaliou 122 mulheres quanto à citologia cervical, infecção por HPV, folato sérico, níveis de vitamina B12, homocisteína e albumina. O nível sérico de folato foi menor em pacientes que apresentavam lesão escamosa cervical do que no grupo controle. Com isso, o autor sugere que a fortificação com folato na dieta pode ser útil na prevenção e na progressão da displasia em mulheres infectadas pelo HPV, pois a presença ou ausência de folato altera o risco de infecção pelo vírus.
Piyathilake (2004) também concorda que a deficiência de folato aumenta o risco de infecção com cargas virais de HPV de alto risco ao passo que a imunidade fica comprometida. Seu estudo avaliou, por 24 meses, mulheres quanto à presença de HPV e indicou que pacientes com maiores níveis de folato tiveram cerca de 70% menos chance de desenvolver neoplasia cervical (que antecede ao câncer de colo de útero). O estudo concluiu que a melhoria da concentração plasmática do folato em pacientes de risco ou já infectados por HPV pode ser protetivo contra o câncer do colo do útero. Em colaboração a estes achados, um estudo recente de Yang e colaboradores (2018), envolvendo mais de 2000 mulheres, demonstrou que pacientes com baixos níveis plasmáticos de folato apresentaram um risco aumentado para neoplasia cervical de alto grau, mesmo com ou sem infecção por HPV de alto risco, em relação às mulheres com níveis normais desta vitamina.

Fonte de folatos

Os folatos (vitamina B9, ácido fólico, metilfolato) são essenciais em diversas reações do organismo, participando da multiplicação celular, por exemplo. Encontrados em verduras e legumes escuros como brócolis, feijão, o folato pode ser obtido através da dieta diária. Todavia, quando não se alcança a quantidade adequada através da alimentação, suplementar pode ser uma alternativa para manter a saúde e evitar doenças. Mas lembre-se de sempre consultar seu médico antes de iniciar qualquer tipo de suplementação.

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ver Referências

ABIKE F. et al. Human papilloma virus persistence and neopterin, folate and homocysteine levels in cervical dysplasias. Archives of Gynecology and Obstetrics,v.284, n.1, p. 209–214. 2010.
HWANG S.Y et al. Roles of folate in skeletal muscle cell development and functions. Arch. Pharm. Res. 2019.
INCA- Instituto Nacional do Câncer José de Alencar Gomes da Silva. Estatísticas do Câncer de Colo do Útero.
INCA, Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva. Perguntas Frequentes. Governo Federal. BRAZIL.
MINISTÉRIO DA SAÚDE, GOVERNO FEDERAL, GUIA PRÁTICO SOBRE HPV PERGUNTAS E RESPOSTAS, BRASÍLIA, 2017.
PIYATHILAKE CJ et al. D Folate is associated with the acquisition, persistence and clearance of high-risk (HR) human papillomavirus (HPV). FASEB J, 2003.
PIYATHILAKE CJ et al. Folate is associated with the natural history of high-risk human papillomaviruses. Cancer Res v.64, n.23, p. 8788–8793, 2004.
PIYATHILAKE CJ et al. Lower red blood cell folate enhances the HPV-16–associated risk of cervical intraepithelial neoplasia. Nutrition, v. 23, n. 3, p. 203–210. 2007.
ZAGO, Marco Antônio; FALCÃO, Roberto Passetto; PASQUINI, Ricardo. Tratado de hematologia. São Paulo: Atheneu, 2013.
YANG J., et al. Interactions between serum folate and human papillomavirus with cervical intraepithelial neoplasia risk in a Chinese population-based study. American Journal of Clinical Nutrition, v. 108, p. 1034-1042, 2018.